quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Igualdade entre homens e mulheres: um sonho a ser conquistado .

 Resolvi publicar essa matéria para que possamos ter uma visão diferenciada, do ponto de vista de uma marxista sobre o machismos. Estamos acostumados a ter uma panorâmica do assunto do ponto de vista da classe dominante, o que não contempla a maior parcela da sociedade....
 
 
Boa leitura . Ass.:  Alencar...     
 
 
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fonte: LIT.           
   
Escrito por Cecília Toledo   
Seg, 29 de Setembro de 2014 12:13
No último dia 20 a atriz britânica Emma Watson fez um discurso na ONU pela igualdade de direitos das mulheres e contra a cultura machista que, segundo ela, se mantém arraigada no mundo, até mesmo na sua “liberal Inglaterra”.
Tanto que logo em seguida ao discurso, criminosos cibernéticos ameaçaram divulgar fotos da estrela nua para desmoralizá-la.
É claro que quando uma estrela tão famosa assim faz um discurso desse tipo, chama a atenção do mundo para o problema. Muitas mulheres fazem esse mesmo discurso todos os dias, nos bairros, nos sindicatos, nas mobilizações de rua, e nada acontece.  E não apenas por causa dos meios de comunicação, mas sobretudo porque Emma não diz toda a verdade e cria ilusões de que um organismo como a ONU poderá dar igualdade de direitos às mulheres. Esse é o verdadeiro sentido do discurso da atriz.
 
Dormindo com o inimigo
A participação de Emma Watson na Assembléia Geral da ONU como Embaixadora da Boa Vontade não é um acontecimento fortuito. Faz parte de uma campanha da ONU chamada HeforShe (Ele por Ela) destinada a chamar os homens a se empenharem na luta contra o machismo. A situação das mulheres, sobretudo, as mais pobres e as trabalhadoras dos países coloniais e semi-coloniais está cada vez mais grave, se é que já não entrou na barbárie. E isso não é bom para a imagem da ONU e tampouco para os negócios da burguesia.
A situação cada vez mais crítica das mulheres, e de outros setores mais fragilizados pela opressão, como os negros e os imigrantes, está diretamente ligada às ações da própria ONU. As condenações apenas formais aos governos que toleram a opressão e os preconceitos e às seitas religiosas cujos costumes retrógrados agridem as mulheres  não resolvem. Por outro lado, a ONU faz vista grossa contra o que está se tornando uma política deliberada; nas inúmeras guerras que vêm ocorrendo contra os povos, promovidas pelo imperialismo, o estupro de mulheres tem sido comum, transformando-se em arma para desmoralizar e vencer o adversário.

Chega a ser contraditório exigir da ONU uma política categórica contra isso, exigir que respeite sua própria Carta de Princípios, porque seria o mesmo que exigir que ela proibisse as guerras, as seitas religiosas e os governos ditatoriais. Que ela deixasse de ser imperialista. E isso está longe do papel da ONU, um instrumento criado pelas grandes potências imperialistas justamente para legitimar suas ações opressivas sobre os povos coloniais e semi-coloniais.    
 
Interesses em jogo
Foi para isso que a ONU foi fundada, em 1945, logo ao final da II Guerra Mundial, para ser um instrumento de paz entre todos os povos e garantia da igualdade e respeito aos direitos humanos. Seriam as nações unidas acima de qualquer coisa, de qualquer particularismo, enfim, o Estado absoluto tal qual falava Hegel, pairando acima da cabeça de todos os homens e promovendo a igualdade entre todos.

No dia 26 de junho de 1945, em São Francisco (EUA), o presidente norte-americano Harry Truman, ao lançar a Carta de Princípios da ONU dizia exatamente isso: “Esta Carta não foi obra de uma só nação ou de um grupo de nações grandes e pequenas, mas o resultado de um espírito amplo de oferecer e aceitar, de uma máxima tolerância diante de pontos de vista e dos interesses dos demais” (ver artigo de Angel Luis Parras, na revista Marxismo Vivo n.2, de outubro de 2000)

Quando, na virada do milênio, as diversas ONGs e intelectuais queriam que a ONU se tornasse um grande Parlamento Mundial, com sua máxima democratização, perguntávamos: “É possível um ‘parlamento mundial’ por cima dos Estados, dos exércitos, das multinacionais, dos bancos, capaz de impor democraticamente decisões contrárias à sua vontade? (idem)

A tão sonhada igualdade de direitos, uma bandeira democrática bem antiga, que vem da Revolução Francesa de 1789, não faz parte do programa da ONU; pelo menos a igualdade verdadeira entre homens e mulheres. A ONU promove campanhas pela igualdade, pelo aprofundamento da democracia, pela realização de uma sociedade fraterna e feliz, sem guerras e genocídios, sem derramamento de sangue e pela liberdade de todos os povos.No entanto, a verdade nunca esteve mais distante; a cada dia o mundo se parece menos com essa fantasia toda. Esse mundo idílico construído pela ONU que inclusive permite que uma atriz famosa faça discursos exigindo a igualdade de direitos (em outras palavras, acusando o mundo capitalista e a própria ONU de manterem a desigualdade) não existe.

Em nome da “democracia”, a ONU sustenta ditaduras que violam os direitos humanos, como a de Assad, na Síria. Em nome da “democracia”, a ONU não faz nada para impedir as mutilações contra as mulheres na África, Oriente Médio e outros países. Não faz nada para impedir o genocídio contra o povo palestino, perpetrado por Israel e o imperialismo americano desde 1948. Não faz nada para impedir que milhões de mulheres sejam estupradas e violentadas todos os dias, vivam em favelas e morram por abortos clandestinos.
 
A igualdade que precisamos
Discursos como o da atriz Emma Watson dão fama e projeção às campanhas da ONU, que precisam dessa fama porque nunca resolvem nada. As crises econômicas, “a paz armada” e a crescente miséria dos povos são elementos que agravam todas as opressões, mas o imperialismo continua mascarando tudo isso com sua falsa democracia. 

A emancipação da mulher é concreta e não pode se assentar em direitos abstratos. Os discursos e campanhas contra o machismo, contra o assédio sexual e a opressão são importantes, mas devem vir acompanhados por medidas palpáveis. Para igualar-se ao homem nos direitos políticos, profissionais e de vida humana, as mulheres precisam, antes que nada, de pleno emprego. Todas devem ter direito ao mercado de trabalho, em igualdade de condições salariais e profissionais que o homem. Para acessar esse mercado, as mulheres precisam de creches públicas onde deixar seus filhos; precisam de moradia digna e todos os serviços públicos à disposição. Precisam também livrar-se da dupla jornada, o que significa a socialização dos trabalhos domésticos, ou seja, que o Estado se encarregue deles. Precisam também ter o controle total sobre seu próprio corpo. Nem o Estado, nem a Igreja ou qualquer outra instituição têm o direito de decidir por ela, isso é totalmente anti-democrático. A mulher deve ter o direito a fazer aborto quando quiser, e esse direito só é direito de fato se o aborto é legalizado e pode ser feito em hospitais públicos.

Todo esse programa que objetiva a igualdade de direitos de que fala Emma Watson não está nos planos da ONU. Basta ver as estatísticas. Cada vez há menos empregos, piores serviços públicos e maior influência das idéias retrógradas da Igreja e todo tipo de seita, com o apoio velado ou descarado dos governos de todos os países. Todo tipo de idéias místicas, superstições e ignorância preenchem o vazio deixado pela educação de qualidade, pela inteligência e a razão.

Aqui cabe uma reflexão. Mesmo esmagados dessa forma, os povos reagem. As lutas contra os regimes autoritários, contra a dominação imperialista e a exploração capitalista apontam uma perspectiva para os povos oprimidos. Não será o aprofundamento da democracia burguesa, como defendem algumas correntes de esquerda e intelectuais, que vai resolver o problema, porque é uma democracia para poucos. Aqui se trata de mudar o sistema em pleno, o que só uma revolução socialista poderá fazer. Essa é a tarefa da classe trabalhadora em todos os países, com seus homens e mulheres oprimidos, confusos em meio a tanta superstição, mas sem outro caminho que se unir e lutar.  
 
FONTE: LIT.

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